Devaneios Cotidianos

O que será?

Certa vez Nana Caymmi declarou que “hoje a música é outra, é bunda, é aeróbica.”, com razão.

São “tchê, tchê, rê, rê…”, “ai se eu te pego” e “me dá um tchu, me dá um tcha”, que podem influenciar diretamente uma massa desprovida de um escudo anti-lixo cultural suficientemente potente.

No país do futebol, do funk e dos mais variados “tchês”, precisamos sim estar atentos ao que essas “influências musicais” podem trazer para nossa pequena geração, que já não se importam em absorver informações que realmente irão acrescentar algo à sua cultura.

E eis um termo altamente deturpado hoje em dia: cultura. Os mais otimistas, e simpatizantes com o assunto, diriam que tudo isso faz parte da “cultura” brasileira e que devemos nos alegrar por estarmos tendo visibilidade mundial. O mundo se rende a “cultura musical” do Brasil!

Preocupante, no mínimo, se nossa boa música não fosse agraciada e valorizada em diversos países estrangeiros.

Luis Fernando Veríssimo argumenta, em um de seus textos, que a sociedade se tornou incapaz de observar todas as mudanças que ocorrem a um palmo do seu próprio nariz. Felizes devem estar os que olham pra isso e se vangloriam de o esforço aplicado estar dando resultados. Para que “pentelhos” para atrapalhar todo o meio de campo e atrasar o processo?

Em meus devaneios cotidianos vejo a sociedade como uma vítima dos males do vaso de Pandora. Mas lembrem-se, ainda há esperança. Esperança de que os que ainda não acordaram, levantem, vistam seu escudo anti-lixo cultural e aprendam a bloquear tudo aquilo que vem com a finalidade de nos alienar.

A esperança de que, um dia, Nanas e Luis possam reformular seus conceitos sobre o que é cultura no Brasil e sentir orgulho e vontade em continuar a agraciar-nos com obras de qualidade e cuidadosamente bem elaboradas.

HélioCadete

No fundo eu tenho receio de que, após conseguir achar aquilo ou aquele que me complete, não consiga, enfim, sossegar.

Será que eu vou findar a busca pelo que me faça feliz? Ou tudo não passa de um “capricho adolescente” numa juventude madura?

Só sei que busco e continuarei buscando. De mãos dadas com o receio, anda a certeza de que quando chegar o momento eu saberei.

HélioCadete

“É mas tenho ainda muita coisa pra arrumar

Promessas que me fiz e que ainda não cumpri

Palavras me aguardam o tempo exato pra falar

Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir”

Ana Carolina - Pra Rua Me Levar

Estranho essa inconstância e imperfeição humana. Quando se quer, vai-se atrás e em certo ponto algo acontece e a vontade se esvai, como se o tempo pudesse esperar.

- Mas você não queria tanto? Explique!

- Difícil.

- Essa eterna luta de você com você mesmo, só você pode resolver. O que não pode acontecer é pensar que os outros se moverão em prol do seu bem estar. Levante e lute! Vá atrás do que você quer!

- Ai como é difícil, por mais que se tente, conseguir um equilíbrio perfeito! Tentamos nos aperfeiçoar mas nunca é o suficiente.

- Talvez porque você exija demais de si mesmo. Pense nisso. Não estaria você exagerando na dose? Tentando ser “perfeito”? E qual a intenção disso?

Muitas dúvidas sem nenhuma resposta.

A busca por esse equilíbrio será conduzida até quando? Realmente existe esse tal equilíbrio? Ou devemos aceitar que as coisas nunca estarão completas quando tratarmos da nossa existência?

De certo que estamos constantemente em mutação. Uma mutação que pra uns é algo mais perceptível, à flor da pele, e pra outros nem tanto.

Acredito que devemos aceitar que não somos perfeitos e nem nunca seremos. Continuar insistindo nessa sina, para alguns, sempre será algo torturantemente sentido no dia-a-dia.

Será a vivência cotidiana de um eterno conflito existencial.

HélioCadete